Entenda por que homens buscam menos ajuda para cuidar da saúde mental e como romper esse ciclo.
Autor: Camila Ezequiel
Postado em 1 de outubro de 2026 às 09:48
Atualizado em 1 de outubro de 2026 às 09:54

Em todo o mundo, homens buscam significativamente menos os serviços de saúde mental e de atenção primária do que as mulheres. Mais do que uma simples falta de hábito, esse comportamento reflete construções culturais e sociais profundas sobre o que significa "ser homem".
No episódio #26 do Empatados, Wesley Pires e Arthur Abner recebem Felipe Paes, psicólogo formado pela USP, pós-graduado em Psicologia Organizacional e Gestão de Pessoas e fundador da Igara, plataforma especializada em saúde mental masculina, para uma conversa sobre masculinidade, autocuidado, terapia e as dificuldades que muitos homens enfrentam para reconhecer e cuidar da própria saúde mental.
Desde a infância, a socialização masculina frequentemente ensina a reprimir sentimentos como medo, tristeza e insegurança. Frases como "homem não chora" ou "você precisa ser forte" moldam a percepção de que lidar com dores sozinho é um dever moral.
Quando esse jovem se torna adulto, o mecanismo de defesa consolidado é o silêncio. Diante de quadros de ansiedade, estresse severo ou depressão, é comum que a dor se manifeste de formas indiretas, como:
O psicólogo Felipe Paes, fundador da Igara, destaca que a convivência entre homens muitas vezes reforça um pacto de silêncio: os problemas emocionais até existem, mas não encontram espaço de escuta sem julgamento.
Outro fenômeno frequente na saúde mental masculina é a delegação da responsabilidade emocional. Historicamente, muitos homens dependem exclusivamente de mães, namoradas ou esposas para processar sentimentos, agendar consultas médicas ou gerenciar seu bem-estar.
Essa terceirização do cuidado sobrecarrega as mulheres no convívio e impede que o homem desenvolva autonomia emocional. Quando uma relação termina ou a rede de apoio falha, a ausência de repertório para lidar com as próprias dores pode levar a crises graves.
Assumir a responsabilidade pela própria saúde mental significa quebrar esse ciclo: entender que cuidar de si não é tarefa do outro, mas um ato individual de maturidade.
Um dos momentos de maior debate do episódio envolve a chamada machosfera e os discursos associados à Red Pill.
Embora polêmicos, esses conteúdos ganham tração porque entregam algo que muitos jovens procuram desesperadamente: pertencimento, validação e fórmulas diretas de autoconfiança.
O desafio atual não é apenas combater visões extremadas, mas entender quais dores não acolhidas estão levando jovens a esse tipo de comunidade. Criar espaços de diálogo abertos e sem postura punitiva é essencial para oferecer alternativas saudáveis de desenvolvimento pessoal.
Dar o primeiro passo e iniciar a terapia é uma conquista significativa, mas muitos homens abandonam o processo nas primeiras sessões. Isso acontece porque a terapia exige justamente o que a cultura masculina desencoraja: olhar para dentro, admitir limitações e encarar desconfortos sem respostas imediatas.
Para construir uma trajetória de cuidado contínuo, vale considerar:
Existe força no pedido de ajuda!
A discussão sobre saúde mental masculina, o papel da terapia, discursos da internet e formas de construir vivências mais saudáveis foi o tema central do episódio #26 do Podcast Empatados.
Apresentado por Wesley Pires e Arthur Abner, o episódio conta com a participação do psicólogo Felipe Paes em um bate-papo sincero e sem tabus sobre o tema.
Disponível no YouTube e Spotify.
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