Saúde mental masculina: por que os homens têm tanta dificuldade de pedir ajuda?

Entenda por que homens buscam menos ajuda para cuidar da saúde mental e como romper esse ciclo.

Thumbnail do episódio 27 do Empatados sobre saúde mental masculina
Empatados #27: Saúde mental masculina

Em todo o mundo, homens buscam significativamente menos os serviços de saúde mental e de atenção primária do que as mulheres. Mais do que uma simples falta de hábito, esse comportamento reflete construções culturais e sociais profundas sobre o que significa "ser homem".

 

No episódio #26 do Empatados, Wesley Pires e Arthur Abner recebem Felipe Paes, psicólogo formado pela USP, pós-graduado em Psicologia Organizacional e Gestão de Pessoas e fundador da Igara, plataforma especializada em saúde mental masculina, para uma conversa sobre masculinidade, autocuidado, terapia e as dificuldades que muitos homens enfrentam para reconhecer e cuidar da própria saúde mental.

 


 

O peso da autossuficiência e a rejeição da vulnerabilidade

 

Desde a infância, a socialização masculina frequentemente ensina a reprimir sentimentos como medo, tristeza e insegurança. Frases como "homem não chora" ou "você precisa ser forte" moldam a percepção de que lidar com dores sozinho é um dever moral.

 

Quando esse jovem se torna adulto, o mecanismo de defesa consolidado é o silêncio. Diante de quadros de ansiedade, estresse severo ou depressão, é comum que a dor se manifeste de formas indiretas, como:

  • Irritabilidade e agressividade: emoções aceitas socialmente como demonstração de firmeza.
  • Comportamentos de esquiva: foco excessivo no trabalho (workaholism), consumo abusivo de álcool ou outras substâncias.
  • Isolamento social: distanciamento de amigos e familiares para não demonstrar fragilidade.

 

O psicólogo Felipe Paes, fundador da Igara, destaca que a convivência entre homens muitas vezes reforça um pacto de silêncio: os problemas emocionais até existem, mas não encontram espaço de escuta sem julgamento. 

 

 

A "terceirização do cuidado" nas relações interpessoais

 

Outro fenômeno frequente na saúde mental masculina é a delegação da responsabilidade emocional. Historicamente, muitos homens dependem exclusivamente de mães, namoradas ou esposas para processar sentimentos, agendar consultas médicas ou gerenciar seu bem-estar.



Essa terceirização do cuidado sobrecarrega as mulheres no convívio e impede que o homem desenvolva autonomia emocional. Quando uma relação termina ou a rede de apoio falha, a ausência de repertório para lidar com as próprias dores pode levar a crises graves.

 

Assumir a responsabilidade pela própria saúde mental significa quebrar esse ciclo: entender que cuidar de si não é tarefa do outro, mas um ato individual de maturidade.

 



Machosfera e Red Pill: por que esses discursos atraem homens?

 

Um dos momentos de maior debate do episódio envolve a chamada machosfera e os discursos associados à Red Pill. 

 

Embora polêmicos, esses conteúdos ganham tração porque entregam algo que muitos jovens procuram desesperadamente: pertencimento, validação e fórmulas diretas de autoconfiança.

 

O desafio atual não é apenas combater visões extremadas, mas entender quais dores não acolhidas estão levando jovens a esse tipo de comunidade. Criar espaços de diálogo abertos e sem postura punitiva é essencial para oferecer alternativas saudáveis de desenvolvimento pessoal.

 


 

Como romper o ciclo e sustentar o processo terapêutico

 

Dar o primeiro passo e iniciar a terapia é uma conquista significativa, mas muitos homens abandonam o processo nas primeiras sessões. Isso acontece porque a terapia exige justamente o que a cultura masculina desencoraja: olhar para dentro, admitir limitações e encarar desconfortos sem respostas imediatas.

 

Para construir uma trajetória de cuidado contínuo, vale considerar:

 

  1. Redefinir força: entender que buscar ajuda profissional exige mais coragem e responsabilidade do que tentar resolver tudo sozinho.
  2. Experimentar o formato certo: encontrar abordagens e profissionais de psicologia com os quais haja identificação genuína.
  3. Pequenos passos de abertura: começar a conversar sobre sentimentos e limites com pessoas de confiança antes de guardar tudo para si.

 

Existe força no pedido de ajuda!

 


 

Quer se aprofundar no assunto?

 

A discussão sobre saúde mental masculina, o papel da terapia, discursos da internet e formas de construir vivências mais saudáveis foi o tema central do episódio #26 do Podcast Empatados.

 

Apresentado por Wesley Pires e Arthur Abner, o episódio conta com a participação do psicólogo Felipe Paes em um bate-papo sincero e sem tabus sobre o tema.

 

Disponível no YouTube e Spotify. 

 


 

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Acompanhe o Empatados

Wesley Pires: @wes.pires
Arthur Abner: @arthabner

 

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